Quatro tecnologias interessantes da Samsung que a Apple deveria implementar

No dia 25 de fevereiro de 2026, a Samsung apresentou a série Galaxy S26 durante o Galaxy Unpacked. O destaque absoluto foi o Privacy Display — a primeira tela de privacidade integrada por hardware em um celular no mundo, exclusiva do Galaxy S26 Ultra.

Durante a apresentação, não pude parar de pensar em como aquele recurso exalava “energia Apple”. Fiquei imaginando o quanto a Maçã iria promover isso em Keynotes e comerciais subsequentes. Isso me trouxe à cabeça alguns recursos muito interessantes que a Samsung já lançou — alguns antigos, outros que pararam de ser implementados — que fazem a diferença real na usabilidade. Diferente de mudanças como o botão de Ação ou o Controle de Câmera, onde sinto que a Apple pecou um pouco na utilidade prática, essas funções da Samsung realmente resolvem dores do dia a dia.

Dito isso, vamos aos destaques:

Privacy Display (Estreia no Galaxy S26 Ultra)

Este é o meu favorito do momento. É a primeira tela de privacidade integrada por hardware em um smartphone, usando a tecnologia Flex Magic Pixel no painel OLED. Ela trabalha com dois tipos de pixels (Narrow e Wide) que controlam a dispersão da luz. Quando desativado, a tela tem ângulos de visão amplos e normais; ao ativar (seja de forma total, parcial por app, ou apenas em campos de notificações e senhas), os pixels Wide reduzem drasticamente a dispersão. Isso limita a visibilidade lateral a quase zero, enquanto o usuário frontal vê tudo com clareza, sem perda significativa de brilho ou qualidade. É o fim do famoso “shoulder surfing” (olhadinha por cima do ombro) em público, algo que o iPhone hoje só resolve com películas de privacidade que acabam com o visual do aparelho.

Este recurso permite carregar outros dispositivos, como celulares, fones e smartwatches, apenas colocando-os sobre o verso do Galaxy, usando a bobina de carregamento reverso. É uma funcionalidade que o iPhone nunca ofereceu oficialmente (o MagSafe serve para ajudar a receber carga, não para enviar). Sinceramente, acho esse recurso fantástico. A praticidade de “salvar” um dispositivo, mesmo que por um breve período, é uma mão na roda. Imagine com o MagSafe: você está indo para a academia e, ao colocar os AirPods no ouvido, ouve aquele aviso de bateria baixa. Por apenas 8 minutinhos de percurso, você deixa o estojo carregando sob o iPhone e pronto! 

Porém, é um recurso pouco comentado, e aqui vai uma crítica à Samsung: eles deveriam parar de focar tanto em “atacar a Apple” em seus comerciais e valorizar mais os recursos que lançam. Muitas vezes as inovações são ofuscadas e pouco usadas porque tem sempre aquele iPhone ao lado no comercial; em vez das pessoas comentarem “nossa, que bacana esse recurso”, elas comentam “olha lá, o iPhone não tem”, direcionando a atenção e o debate totalmente para o concorrente e ofuscando a própria tecnologia apresentada.

Integrada à linha Ultra desde o S21, a caneta é um ícone de produtividade. Já sabemos que o iPhone convencional e o Pro provavelmente nunca terão esse suporte, porém uma luz no fim do túnel chamada “iPhone Fold” pode mudar as regras do jogo.

Eu realmente espero que chegue. Seria muito prático, afinal, o objetivo dessa categoria de aparelhos não é ser versátil, tanto para produtividade quanto para uso pessoal? Mesmo que os rumores da primeira geração não indiquem nada, seria uma mão na roda para as sucessoras. Anota aí, Apple: abrir o dispositivo, pegar a canetinha e editar um vídeo seria um sonho para mim e para milhares de profissionais criativos.

Confesso que não é o meu preferido, mas é inegável o seu poder. Ele permite conectar o celular a um monitor ou TV (via cabo ou wireless) e transformá-lo em um desktop completo com janelas flutuantes, multitarefa real e suporte a mouse e teclado. É muito mais robusto que o Stage Manager do iPadOS, que é limitado e não oferece a mesma experiência de PC.

Fico pensando se faria sentido no ecossistema da Maçã, já que tudo é absurdamente integrado com Handoff e nuvem. Geralmente, quem tem iPhone tem um Mac ou iPad, o que mataria em partes a necessidade real. Além disso, a Apple integrou ainda mais o iPhone ao Mac recentemente, com o app de espelhamento. Do ponto de vista econômico do usuário que só pode ter um dispositivo, seria incrível, mas para a Apple seria uma “ameaça” ao seu próprio ecossistema, já que eles querem que você compre todos os aparelhos da linha. Ainda assim, é um recurso muito pedido.

Este é o último recurso que não apenas eu, mas muita gente pede nos iPhones. Nos Galaxy e aparelhos Android, isso já é “jurássico”, estreando lá no Galaxy Note 2 em 2012. Sinceramente, é muito bom. Não sabemos o porquê oficial de não estar disponível nos iPhones, já que no iPad existe há muito tempo. Provavelmente, isso chegará com o iPhone Fold e pode ser um dos diferenciais de marketing para promover que o chip é potente o suficiente para isso. Não sei se faz diferença para todo mundo, mas para pessoas criativas faz muita: imagine ler uma notícia enquanto conversa no WhatsApp sobre onde ir, estando com o Google Maps aberto ao mesmo tempo, sem precisar ficar alternando entre apps. Seria muito interessante!

Fico pensando se faria sentido no ecossistema da Maçã, já que tudo é absurdamente integrado com Handoff e nuvem. Geralmente, quem tem iPhone tem um Mac ou iPad, o que mataria em partes a necessidade real. Além disso, a Apple integrou ainda mais o iPhone ao Mac recentemente, com o app de espelhamento. Do ponto de vista econômico do usuário que só pode ter um dispositivo, seria incrível, mas para a Apple seria uma “ameaça” ao seu próprio ecossistema, já que eles querem que você compre todos os aparelhos da linha. Ainda assim, é um recurso muito pedido.

Quanto aos recursos de câmera, pretendo trazê-los em uma outra conversa, pois a lista de coisas que a Samsung tem — e outros smartphones Android também — e que eu gostaria que chegassem ao iPhone, merece um artigo especial. No entanto, uma tecnologia que me chamou muito a atenção na apresentação dos novos Galaxy S26, e que tem tudo a ver com fotografia e vídeo, vou comentar agora: o Bloqueio Horizontal.

Bloqueio Horizontal (Horizontal Lock)

Esse recurso leva a estabilização de vídeo para um nível ainda maior. Utilizando o sensor de alta resolução e inteligência artificial, o software consegue “travar” a linha do horizonte. Mesmo que você gire o celular em 360 graus ou balance o aparelho bruscamente durante uma corrida, a imagem permanece perfeitamente nivelada, como se o celular estivesse em um gimbal físico. No S26 Ultra, isso se tornou ainda mais fluido, eliminando artefatos digitais e mantendo a nitidez mesmo em baixa luz.

O que vocês acham desses recursos e funcionalidades? Seriam úteis no iPhone? Confesso que torço muito para que todos cheguem. Afinal, nós, usuários de iPhone, lidamos com os aparelhos no dia a dia para uso pessoal e profissional. Quando o Android recebeu as “Atividades ao Vivo” (Live Activities) inspiradas na Apple, não foi ótimo? O inverso também seria fantástico.

Vou me despedindo por aqui e vejo vocês conectados em uma próxima conversa.

Um abraço, Cleyton

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Foto de Cleyton Gonçalves

Cleyton Gonçalves

Fundador do Onloading. Desde 2021, Cleyton Gonçalves atua como estrategista digital e analista de tecnologia, unindo a precisão da administração à criatividade da produção audiovisual. Sua expertise foi moldada pela experiência direta no mercado de dispositivos Apple — tanto pela bagagem técnica como ex-vendedor de seus produtos, quanto pelo olhar atento de quem utiliza o ecossistema desde o iPad de 6ª geração. Cleyton possui uma atuação multidisciplinar, integrando conhecimento técnico e estética funcional. Neste espaço, ele assina artigos e conversas autorais, explorando temas profundos e perspectivas que muitas vezes passam despercebidas, sempre priorizando a clareza e o lado humano da tecnologia.

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